Uma família
Aos 20 anos eu estava no Seminário de Treviso e decidi acolher o convite do Senhor de sair da minha terra (Leik leikà, que nem Abraão) e ser missionário. Fui ter uma conversa com meu Diretor Espiritual que me sugeriu de pesquisar sobre os quatro Institutos Missionários Italianos, mas recomendou-me o Instituto de Parma, porque de bom nível e “com ar de família”. Eu fui em Parma num domingo e fui recebido com alegria pelos estudantes de teologia. Havia uma festa que não lembro, motivo para ter um copinho de licor no almoço e uma representação teatral à noite. Foi amor à primeira vista. Nossa vida é feita de pormenores, quem não sabe?
Pois bem, no noviciado me deparei com a Carta Testamento que é um hino à família religiosa. “Além da caridade para com Deus, devemos alimentar em nosso coração a caridade (...) para com aqueles que formam conosco uma mesma família religiosa e com os quais temos em comum a vida, o ideal, o trabalho, os merecimentos, a direção, tudo, na espera de ter também em comum... a própria gloria celeste” (9).
Em particular, no último parágrafo da Carta, o Fundador se revela como pai-e-mãe. “E neste momento em que sinto toda a suavidade da caridade de Cristo, muitíssimo mais forte de que todo afeto natural e dominado pela grandeza que nos une numa só família, abraço com efusão do coração, como se aqui estivessem presentes, todos quantos deram o nome ao nosso Sodalício e a quantos irão dá-lo no futuro” (11). Que emoção: eu me senti abraçado pelo Fundador, junto com os demais xaverianos.
Com os confrades sempre me sinto em família. Sei tantas coisas dos padres mais velhos, dos coetâneos e dos um pouco mais novos do que eu. Lamento não ter boa memória para gravar o nome dos mais recentes. Por todos rezo, em particular nas Laudes. Tive a alegria de trabalhar em pequenas comunidades xaverianas muito unidas. Me foram confiados e acompanhei com afeto uns confrades em dificuldades; sofri por uns dramas.
Considero como vontade de Deus (de acordo com o Fundador) que a nossa congregação seja um ícone para a humanidade a fim que “se faça do mundo uma só família”.
A vida religiosa
Na Carta o Fundador reserva muito espaço aos votos. Ele resume numa frase: “A vida apostólica, unida à profissão dos votos religiosos, constitui por si o que de mais perfeito se pode conceber, segundo o Evangelho” (2). Então a profissão é um valor em si, mas para nós e orientada à vida apostólica.
Na minha cidade havia o Instituto do PIME, no qual não entrei porque não é Instituto Religioso. Trata-se de vocação e trata-se de desejo de “radicalidade”. Especialmente na juventude se entende que Jesus pede de deixar tudo, apostar tudo, até cantar (no Noviciado) de suspirar a palma do martírio. E o Fundador diz que a profissão dos votos é uma espécie de martírio.
A profissão é dar a Deus não só os frutos, mas também a planta; é um segundo batismo, início de uma nova vida. O Fundador nem acena à renúncia de formar uma família com esposa e filhos. O missionário é tão empolgado com sua missão que chega logo ao “ponto sem retorno”; é “ad vitam”, é ter vida doada, sem carreira, sem segundas finalidades. Eu experimentei que com os votos tudo fica simplificado (importante, para mim que, como poeta, não gosto de complicações); a gente se sente livre: só Deus basta!
Vida missionária
A vocação do xaveriano é vocação a “trabalhar com ardor sempre crescente na propagação do Evangelho em terras infieis,... para a formação de uma única família cristã que congregue a humanidade toda” (1). Nas entrelinhas da Carta Testamento eu li o nome de um país imenso, a China. Preparei-me e prontifiquei-me para ser missionário na China. Tive a sorte de viver com os chineses por três anos, dialogando e testemunhando. Até escrevi um livro sobre a cultura chinesa que tinha impressionado o Fundador. No Brasil entendi que evangelizar é um “processo”, para todos e para a vida inteira. “Me consumo do desejo de dar almas a Cristo” (8).
Cristocentrismo
Aos sacerdotes diocesanos que me pediam qual seja a espiritualidade xaveriana, eu respondia sem tergiversar: a espiritualidade xaveriana é cristocêntrica. Dir-se-á que todo o cristianismo coloca Cristo e o Reino de Deus no centro. Então acrescento com o Fundador que é “intimidade e totalidade de Cristo Crucifixo com os cristos crucifixos do mundo”. O encontro de Guido criança com o Crucifixo, foi experiência “fundante”. O Fundador nos pede de ter Cristo “diante dos olhos da nossa mente e ele nos acompanhará por toda parte, na oração, no altar, no estudo, nas múltiplas atividades do ministério apostólico, nos frequentes contatos com o próximo, no sofrimento...” (7). Esta espiritualidade é alta e profunda. O xaveriano não precisa procurar outra mais recente: neopentecostal, neocatecumenal, neo...
Um famoso verbita brasileiro lembrava que a espiritualidade que recebeu de sua congregação bebia do devocional dos camponeses alemães. Nossa espiritualidade tem água do próprio poço, ou seja, Jesus e os que viveram mais perto dele: Maria, José e os apóstolos. (8) Nada de uma pletora de santos. É espiritualidade adulta. Em particular, aqui no Brasil, entendi a graça de uma espiritualidade que coloca Cristo em tudo e em todos. Cristo continuou sua missão de estabelecer o Reino de justiça , paz e festa no Espirito Santo (Rm 14,17), mesmo quando mandavam recados que ele se retirasse, calasse, senão... (senão teria morrido jovem de morte matada). Ele continuou fiel à sua missão. Por isso foi morto e o Pai o ressuscitou!
Num mundo marcado pela injustiça, armamentismo, desigualdade, tristeza, a nossa evangelização só tem sentido trilhando o mesmo caminho de Cristo. Graças a Deus, as Constituições evidenciam o que na Carta Testamento está nas entrelinhas: o evangelho é boa nova aos pobres: a opção pelos pobres, não virtual, mas real, concreta, é dever do missionário.
Memento!
P. Arnaldo De Vidi sx
Un inno alla Famiglia Religiosa
Una famiglia
A 20 anni ero al seminario di Treviso e ho deciso di accettare l'invito del Signore a lasciare la mia terra (Leik leikà, come Abramo) e fare il missionario. Sono andato a parlare con il mio Direttore Spirituale che mi ha suggerito di ricercare tra i quattro Istituti Missionari Italiani, ma mi consigliò l'Istituto di Parma, perché è di buon livello e “con atmosfera familiare”. Sono andato a Parma una domenica e sono stato accolto con gioia dagli studenti di teologia. C'era una festa che non ricordo, motivo per prendere un bicchiere di liquore a pranzo e assistere a uno spettacolo teatrale la sera. Fu amore a prima vista. La nostra vita è fatta di dettagli, chi non lo sa?
Ebbene, al noviziato mi sono imbattuto nella Lettera Testamento (LT) che è un inno alla famiglia religiosa. “Oltre alla carità verso Dio, dobbiamo alimentare la carità nel nostro cuore (...) verso coloro che formano con noi la stessa famiglia religiosa e con cui abbiamo nella vita comune, l'ideale, il lavoro, i meriti, il direzione, tutto, nella speranza di avere anche in comune ... la stessa gloria celeste” (LT 9).
In particolare, nell'ultimo paragrafo della Lettera, il Fondatore si rivela padre e madre. “E in questo momento in cui sento tutta la dolcezza della carità di Cristo, molto più forte di ogni affetto naturale, e tutta mi si affaccia la grandezza della causa che ci stringe in una sola famiglia, abbraccio con effusione di cuore, come se fossero qui presenti, quanti hanno dato il nome al pio nostro Sodalizio e quanti saranno per darglielo in seguito” (LT 11). Che emozione: mi sono sentito abbracciato dal Fondatore, insieme agli altri saveriani.
Con i confratelli, mi sento sempre come in una famiglia. Conosco abbastanza i confratelli più anziani, i miei coetanei e quelli un po’ più giovani di me. Mi dispiace di non avere una buona memoria per ricordare i nomi dei più recenti. Prego per tutti, in particolare nelle Lodi. Ho avuto la gioia di lavorare in comunità saveriane piccole e unite. Mi sono stati affidati e ho accompagnato con affetto alcuni confratelli in difficoltà. Ho sofferto per alcuni drammi.
Considero come volontà di Dio (secondo il Fondatore) che la nostra Congregazione sia un'icona per l'umanità affinché “il mondo diventi una sola famiglia”.
Vita religiosa
Nella LT, il Fondatore dà molto spazio ai voti. Lo riassume in una frase: "La vita apostolica, infatti, insieme alla professione dei voti religiosi, costituisce per sé quanto di più perfetto, secondo il Vangelo, si possa concepire” (LT 2). Quindi la professione è un valore in sé, ma per noi è orientata alla vita apostolica.
Nella mia città c'era il PIME, in cui non sono entrato perché non è un Istituto religioso. Si tratta di vocazione e di voglia di “radicalità”. Soprattutto in gioventù si capisce che Gesù chiede di lasciare tutto, di puntare tutto, anche di cantare (in noviziato) per sospirare la palma del martirio. E il Fondatore dice che la professione dei voti è una sorta di martirio.
La professione è dare a Dio non solo i frutti, ma anche la pianta; è un secondo battesimo, l'inizio di una nuova vita. Il Fondatore non accenna neanche alla rinuncia di formare una famiglia con moglie e figli. Il missionario è così entusiasta della sua missione che presto raggiunge il “punto di non ritorno”; è ad vitam. Ciò significa avere una vita donata completamente, senza carriera, senza secondi fini. Ho sperimentato che con i voti tutto è semplificato (importante, per me, perché come poeta, non amo le complicazioni). Siamo e ci sentiamo liberi: solo Dio basta!
Vita missionaria
La vocazione del saveriano è una vocazione a lavorare “con sempre crescente ardore alla dilatazione del Vangelo nelle terre infedeli, ... (per) la formazione di una sola famiglia cristiana che abbracci l'umanità" (LT 1). Tra le righe della LT ho letto il nome di un enorme paese, la Cina. Mi sono preparato e mi sono offerto volontario per essere un missionario in Cina. Ho avuto la fortuna di vivere con i cinesi per tre anni, parlando e testimoniando. Ho persino scritto un libro sulla cultura cinese che aveva colpito il Fondatore. In Brasile ho capito che l'evangelizzazione è un “processo”, per tutti e per tutta la vita. "Ardo perciò dal desiderio di dare delle anime a Cristo” (LT 8).
Cristocentrismo
Ai sacerdoti diocesani che mi hanno chiesto cosa sia la spiritualità saveriana, ho risposto senza esitazione: la spiritualità saveriana è cristocentrica. Si dirà che tutta la cristianità pone Cristo e il Regno di Dio al centro. Ma poi aggiungo con il Fondatore che è “intimità e integrità di Cristo Crocifisso con i crocifissi del mondo”. L'incontro di Guido con il Crocifisso è stata un'esperienza “fondante”. Il Fondatore ci chiede di avere Cristo “innanzi agli occhi della nostra mente, ed egli ci accompagnerà ovunque, nella preghiera, all'altare, nello studio, nelle opere molteplici del ministero apostolico, nei contatti frequenti col prossimo, nella sofferenza ... "(LT 7). Questa spiritualità è alta e profonda. Il saveriano non ha bisogno di cercarne una più recente: Neo-pentecostal, Neo-catecumenal, Neo- ...
Un famoso verbita brasiliano ha ricordato che la spiritualità ricevuta dalla sua congregazione beveva dalla devozione dei contadini tedeschi. La nostra spiritualità ha l'acqua del pozzo stesso, cioè Gesù e di coloro che hanno vissuto più vicino a Lui: Maria, Giuseppe e gli apostoli (LT 8). Nessuna pletora di santi. È una spiritualità adulta. In particolare, qui in Brasile, ho capito la grazia di una spiritualità che pone Cristo in tutto e in tutti. Cristo ha continuato la sua missione per stabilire il Regno di giustizia, pace e festa nello Spirito Santo (Rm 14,17), anche quando gli sono stati inviati messaggi perché si ritirasse, tacesse, altrimenti ... (altrimenti sarebbe morto giovane, ucciso). Rimase fedele alla sua missione. Ecco perché è stato ucciso e il Padre lo ha risuscitato!
In un mondo segnato da ingiustizie, corsa agli armamenti, disuguaglianze, sofferenze e tristezza, la nostra evangelizzazione ha senso solo se segue e percorre la stessa via di Cristo. Grazie a Dio, le Costituzioni mostrano quello che c'è nella Lettera Testamento tra le righe: il vangelo è una buona novella per i poveri. L’opzione per i poveri, non virtuale, ma reale, concreta, è compito del missionario.
Memento!
P. Arnaldo De Vidi sx
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